17.10.17

Do puerpério

Não sobrou areia sobre areia
Do que eu era
O (a)mar levou

De um grão pari três vidas inteiras:
Eu,
Ela,
Elo.

Onde o Eu termina
Ela começa

O que o Eu termina
O Elo transforma

(...)

Erodimos
E somos rocha.

(Rebeca dos Anjos)

1.8.17

Há no leite que falta ou vaza:
Uma mulher.

Há no bico plano, invertido, "normal" ou comprido:
Uma mulher.

Há na ferida que sangra,
Na desistência
Ou na persistência:
Uma mulher

Seja na amamentação prolongada
Ou na encurtada
Ou na tabelada

Seja na  livre demanda
Ou na livre oferta

Seja no bico ferido,
Ou no bico feito pra isso
Na mamadeira, copinho, seringa, sonda ou colher

Há em tudo isso:

Uma mulher

Com suas sombras
Sua história
Suas dores
Suas glórias

Que também é mãe.

Que
Tão
Bem
É.

(Rebeca dos Anjos)

19.4.17

Alguma coisa morre no tempo que passa.

Um tempo sem esperança é morto,
Apesar da expectativa ser sempre apontada como algo ruim por gurus e blá blá blá.

Vou defender as expectativas,
Os sonhos,
Projeções:

Às vezes o agora pesa
E não contenta,
Passa e não sustenta
O tempo que escorre pelas mãos.

13.4.17

Após refletir, concluo: mora nos livros a  profundidade das relações.

Ler um livro não serve só para aprendermos palavras, absorvermos cultura. Ler um livro trata-se de saborear  histórias completas, exercitar a concentração, o interesse por uma história que não é a nossa, empatia.

Em tempos de redes sociais, não me surpreende a superficialidade das relações. Tudo rápido. Vários. Mais de cinco linhas cansam. Não se alcança o clímax.

Que tipo de opinião formamos sobre um fragmento de texto compartilhado com um bela imagem, quando nada sabemos sobre sua origem, contexto, conclusão?

Que tipo de relações  formamos com fragmentos?

(...)

Só sei que pretendo ser biblioteca.

(Rebeca dos Anjos)

8.4.17

Descubro Chihiro e me inspiro:

Veja a aquarela,
Cores suaves,
Crianças e flores,
Personagens que flutuam -

Lembro daquela história sobre o que é desenhar com chão;
Reflito.

Leveza, liberdade, fluidez e voo:
O despertar infantil num mundo que diz que despertar é virar adulto.

Pois fico com as cores-água, fico com os traços contentes de quem desenha sem chão.

Fico não,
Voo

Como um bebê sem fraldas,
Como uma mãe cuja face é o abraço,
Como uma tulipa maior do que o eu

Um voo sem chão e sem asas.


Rebeca dos Anjos

Imagens: Google Arts & Culture





LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...